Briefing – Prego Gourmet: sucesso em tempo de crise

 

in Briefing, 20 Juhlo 2012 – Link para artigo

 

 

 

 

 

 

“É em tempo de crise que se criam os grandes negócios”. Esta poderia ser a máxima dos três sócios da Prego Gourmet: a marca tem tido grande aceitação junto dos consumidores, de tal modo que às atuais quatro lojas a meta para 2012 é que se juntem outras tantas e atingir uma faturação na ordem dos dois milhões.

Em entrevista, os três sócios – André Simões de Almeida, João Cota Dias e David Igrejas, fazem o balanço de um ano de atividade:

Briefing | Que balanço fazem deste primeiro ano?
André Simões de Almeida, João Cota Dias e David Igrejas| O balanço é muito positivo. No primeiro ano conseguimos implementar um conceito diferenciador no mercado, com grande aceitação por parte dos consumidores em geral.
Estamos a conseguir entrar nos principais food courts da zona da grande Lisboa, onde já abrimos lojas no Amoreiras Plaza, Oeiras Parque, Campo Pequeno e, mais recentemente, Centro Comercial Alegro. As vendas têm excedido as nossas expectativas. Mas, sobretudo, temos mantido a qualidade dos nossos pregos ao longo do período de expansão.
Foi um ano difícil, de muito trabalho, mas podemos dizer que tem valido a pena, sobretudo quando percebemos que, de facto, os nossos clientes gostam realmente dos nossos produtos.

Briefing | Como tem sido consolidar o projeto em tempo de crise?
ASA, JCD e DI | O conceito do Prego Gourmet nasceu em tempo de crise. Quando pensámos no conceito estruturámos toda a operação em função do mercado que já estava em crise. Deve ser mais difícil para as cadeias que começaram a operar no tempo em que se vendia muito, com grandes margens e que têm estruturas muito pesadas. Hoje as margens são bastante inferiores e, como tal, temos de nos adaptar.
Apesar de algumas variantes que não esperávamos, tal como o aumento do IVA e a quebra cada vez maior no consumo, temos conseguido atingir os nossos objetivos e até ultrapassá-los. Embora exista uma redução das pessoas que iam aos food courts, é compensada pelo aumento de quem ia aos restaurantes tradicionais e agora vai aos food courts. Por um preço muito inferior consegue a mesma ou melhor qualidade.
A crise obriga os gestores a terem muita atenção aos custos e gerirem com mais criatividade e profissionalismo. Sempre ouvimos dizer que é em tempos de crise que se criam os grandes negócios.

Briefing | Qual o posicionamento da marca no mercado?
ASA, JCD e DI | O prego, por si, já tem um posicionamento muito bem definido no mercado português, é talvez dos pratos mais conhecidos a todos nós. A sua simplicidade acabou por torna-lo num produto quase “banal”. Nós notámos neste produto um enorme potencial e decidimos posicioná-lo de um modo bastante diferente; a nível de pricing provámos que é possível criar um tipo de prego muito bem elaborado com o mesmo custo do que um simples prego. Criámos oito tipos de prego no pão e cinco no prato, um leque de diferentes pregos, todos eles cuidadosamente elaborados com os melhores e mais frescos produtos do mercado. Desde o prego Asiático feito com salmão fresco ao Gourmet feito com o melhor lombo do mercado. Com isto conseguimos um posicionamento único como marca que vende produtos de alta qualidade a preços muito acessíveis. Acreditamos que a nossa fórmula de sucesso está justamente nessa forma de trabalhar, na transmissão de valor para o cliente.

Briefing | Qual a estratégia de comunicação e marketing?
ASA, JCD e DI | Temos aprendido que uma comunicação clara dos nossos produtos no ponto de venda é um fator crítico de sucesso na primeira escolha dos consumidores.
As lojas têm que transmitir toda a qualidade dos nossos produtos e sobretudo transmitir confiança. Não nos podemos esquecer que vendemos comida! Parte da nossa estratégia passa por termos uma marca muito bem conseguida graficamente com uma assinatura clara e sobretudo verdadeira “Um Ritual Português Aperfeiçoado”: se a assinatura não cumprir a promessa, o risco passa a ser grande e isso nós nunca podemos aceitar.
Neste primeiro ano de atividade, temos usado muito a imprensa especializada e as redes sociais para comunicar o nosso produto. Criámos recentemente o Fã do Prego que já está a criar uma relação com os nossos clientes. Inovámos também no cartão de fidelização que dá a opção ao cliente de escolher uma refeição ou uma t-shirt Fã do Prego. Pretendemos com isto transmitir os valores da marca Prego Gourmet aos nossos clientes e tentar criar uma forma de estar em relação à nossa marca.
Numa segunda fase, o Fã do Prego será utilizado num tipo de comunicação mais relacional. Com ações mais próximas dos atuais e potenciais consumidores dos nossos pregos.

Briefing | Quais os objetivos para 2012, quer em termos de abertura de novas lojas, quer em termos de faturação?
ASA, JCD e DI | Para 2012 temos como principal objetivo a abertura de mais quatro lojas, todas elas na zona da Grande Lisboa, terminando o ano com um total de oito lojas. Já temos os locais devidamente identificados. Sabemos quais os melhores food courts para o nosso conceito através de vários estudos efetuados ao longo do ano. A nível de faturação temos como principal objetivo atingir um valor na ordem dos 2 000 000 €.

Briefing | Está prevista a expansão para outras cidades que não Lisboa? E a abertura de lojas de rua?
ASA, JCD e DI | Sim, mas um passo de cada vez. Queremos consolidar a operação em Lisboa e só depois avaliar as melhores oportunidades que vão surgir noutras cidades. Consideramos fundamental a consolidação de oito lojas com um funcionamento estável. Queremos manter a qualidade sempre a níveis muito altos. Já surgiram oportunidades de entrarmos noutras cidades, mas correríamos o risco de deixar pelo caminho qualidades que são fulcrais ao sucesso do negócio e isso nós não deixamos que aconteça. A forma como é feito o atendimento nos pontos de venda, a elaboração dos pregos e a qualidade dos mesmos exige um enorme controlo diário.
Para já as lojas de rua não fazem parte da nossa estratégia. São negócios distintos e o modo como a restauração se comporta na rua é diferente como se comporta nos food courts. Na rua as pessoas exigem um tipo de serviço diferente, querem sentar-se à mesa com um atendimento mais personalizado.

Briefing | Exportar o conceito está a ser equacionado ou ainda é cedo?
ASA, JCD e DI | Pensar num negócio para desenvolver apenas em Portugal é um erro. Até pode permitir um bom crescimento mas irá atingir com toda certeza atingir um estado de saturação. O nosso objetivo é muito ambicioso e, como tal, exportar está 100% dentro do nosso plano.
Desde o primeiro minuto pensámos na vertente internacional e tentámos criar um produto global. Obviamente que existem países onde acreditamos que teremos sucesso e outros não, mas, para despistar esse risco, estamos a desenvolver estudos para, assim que a operação esteja consolidada em Portugal, podermos avançar para o terceiro passo do nosso processo de expansão. Dada a crise que em cima foi mencionada as margens estão mais reduzidas do que noutros tempos e o dinheiro não é tão fácil, menos investimento em Portugal e os bancos não permitem crescimentos de outrora, por isso definimos o nosso crescimento em três etapas: desenvolvimento regional (Grande Lisboa), desenvolvimento nacional (para todo o país) e desenvolvimento internacional (países a definir).

Fonte: Briefing