Marketeer – Há pregos gourmet?

 

in Revista Marketeer n.° 186, Janeiro de 2012

 

Qualidade a preço acessível, com serviço rápido. Uma trilogia de ingredientes que está a ditar o sucesso do Prego Gourmet. Depois do primeiro espaço no Amoreiras Plaza, chegou já a Oeiras e promete abrir 12 lojas ao longo do ano.

M.a João Vieira Pinto
Paulo Alexandrino (foto abertura)

A história não é muito diferente de um caso português que já é um verdadeiro su­cesso na restauração. Três amigos juntam­-se para lançar um projecto de alimentação gourmet. Não, não são hamburguers! É, sim, dos pratos mais tradicionais da cozinha por­tuguesa: o prego.
Chama-se Prego Gourmet, abriu o pri­meiro espaço no Amoreiras Plaza em Junho e antes do final do ano estendeu a Oeiras, com abertura da segunda unidade no Oeiras Parque. Agora, o plano de expansão é, no mí­nimo, ambicioso. Um verdadeiro movimento em contraciclo face a um mercado, o da res­tauração, que tem assistido ao encerramento de portas de um número de estabelecimentos acima de todas as médias. E um sector, ain­da, que se diz penalizado este ano, tendo em conta o agravamento do IVA para 23%.
Até à data, os resultados do Prego Gourmet têm fintado a crise e a quebra de consu­mo fora de casa. A receita? Qualidade a um preço acessível. Esta foi, de resto, a trave mestra em que assentou o projecto, desde a primeira hora.
Há anos que André Almeida, David Saragga Igrejas e João Cota Dias projectavam o lan­çamento de um projecto a seis mãos. O ano passado decidiram juntar os conhecimentos técnicos de David na cozinha à formação em Gestão de André e arrancar com o negócio em conjunto, depois de conseguirem luz verde de dois sócios investidores.
De resto, o prego destacou-se duran­te muito tempo como o grande ex-líbris do
Restaurante Foral da Vila, em Cascais, por onde David passou. «Já aí era chamado prego gourmet, o que me levou a começar a desen­volver a ideia», conta. O primeiro passo é, contudo, a abertura do Restaurante The Bay, em Cascais, onde experimenta e desenvol­ve mais algumas variedades e receitas. «Foi como um teste ao mercado», confessa.

Depois, bem depois, e já os três juntos, decidem avançar para Lisboa. Para crescer! Ao longo de seis meses desenham o projec­to, contactam potenciais investidores, con­tratam um arquitecto… Em Junho de 2011 o primeiro espaço Prego Gourmet abre portas no Amoreiras Plaza, em Lisboa. A estimativa inicial da task force apontava para uma po­tencial venda de 80 pregos por dia. O número actual ronda os 230.
Uma aceitação do mercado que ultra – passa de longe as melhores expectativas e que levou a que poucos meses mais tarde começassem a definir todo um processo de expansão, com a segunda loja a abrir portas ainda antes do final do ano no Oeiras Parque. E a conseguir aqui, logo na primeira semana, servir uma média diária de 250 pregos!
Agora, e para este ano, o objectivo é que a marca chegue a qualquer coisa como 12 es­paços, com a abertura sequencial de um por mês ao longo do ano. Para reforçar em noto­riedade e construir «uma verdadeira cadeia» na área da restauração, conforme frisa André Almeida: «O nosso objectivo é vir a ter uma cadeia, com uma venda média de 150 pregos por loja. É um número ambicioso, mas é um número possível.»
Porquê esta pressa? Porque, explica, em causa está um conceito original, único, sen­do imperioso «garantir a marca».
Este será então o ano de conquistar a Grande Lisboa. A partir daqui, a cruzada será no sentido «de alargamento ao resto do mercado português ou de internacionaliza­ção, através das comunidades portuguesas», conforme explicam. Até à data, aliás, foram já contactados por vários investidores inte­ressados em levar o conceito do Prego Gourmet para fora de portas!
O poder da palavra
«O Amoreiras Plaza foi o local ideal para fazer um teste ao nosso conceito. Porque quem o visita é um público exigente, que re­pete, que vem e recomenda», explica André Almeida. Assim foi, de facto. Apesar de te­rem aberto em pleno mês de Junho, um mês com fraca afluência, e mesmo sem investi­mento em comunicação, o Prego Gourmet rapidamente se tornou uma das âncoras da praça de restauração.
Abre com cinco propostas de produto que se desdobram em 18 variedades. Do prego clássico ao de alcatra, passando pelo frango ou salmão. No pão ou no prato. Com ou sem acompanhamento. Desengane-se, contudo, se pensa que a estrela da companhia é o prego clássico. Nada disso, a referência mais pedida nas Amoreiras é o prego de alcatra grelhado no prato.
No início houve menor preocupação no tratamento da imagem da loja e maior enfo­que no produto e consequente oferta. Deci­dido foi que não haveria fotos dos bifes em exposição na loja. Para já, a opção parece ter­-se revelado a correcta. O word of mouth tem ditado um crescimento crescente em noto­riedade, reflectido no número de clientes que hoje chega já de outros pontos de Lisboa (quando inicialmente apenas eram procura­dos por residentes ou trabalhadores da área). «As pessoas voltam e vão cada vez conhecendo melhor o negócio», sublinha David.


A execução do prego é transmitida por David que passa cerca de mês e meio na loja a ensinar técnicas e a passar conhecimen­tos adquiridos. «É um mês e meio intenso para formar todas as pessoas à nossa medi­da », diz. David Igrejas é de resto o garante de que tudo tem que cumprir determinados parâmetros, por si definidos. É ele quem dá formação à equipa, de loja para loja. Todos os bifes são cortados individualmente, antes e depois do almoço, e sempre que a qualidade não é a indicada, são colocados de lado e de­volvidos ao fornecedor.
Daí que a expansão a acontecer este ano deva ser de uma abertura por mês, para que se assegure a passagem de testemunho.
Além disso, definidos desde logo foram vá­rios guidelines para o nível de serviço e aten­dimento. E que estipulam, por exemplo, as diferentes tarefas atribuídas a cada função, ou que cada cliente seja atendido em 42 segundos!
Quanto a uma potencial aproximação ao H3, André Almeida não se assusta. «É quase inevitável. Até já ouvi dizer que era dos mes­mos sócios. O H3 terá sido o primeiro a passar a mensagem de oferta de qualidade a preço acessível. Não nos colamos, nem em termos de imagem, nem em termos de oferta», ape­sar de haver algumas similitudes no conceito em si, diz, fazendo contudo questão de fri­sar que não só o caminho é diferente como o próprio produto em si também o é. «Quise­mos pegar num produto português, como é o prego, e queremos expandi-lo para fora», acrescenta David, apesar de confirmar que nem toda a carne é nacional. Uma questão de fornecedores, ainda a limar.
Não divulgados, de todo, são os valores de investimento. Apenas adiantam que «não é barato» e «que é um investimento a recu­perar a dois-três anos por loja».