Expresso – É comida portuguesa, com certeza

Novas cadeias portuguesas, como Prego Gourmet ou Empadaria do Chef, marcam a diferença no fast food

in Jornal Expresso/ Economia, 26/11/2011

 

 

Nem eles próprios esperavam um sucesso tão rápido. Três ami­gos de Cascais, na casa dos 30 anos, quiseram tornar o prego “num potencial rival às grandes cadeias de hambúrgueres”. Fun­daram a Prego Gourmet, abri­ram a primeira loja em junho, no Amoreiras Plaza em Lisboa, e este mês abriram a segunda no Oeiras Parque. Tiveram filas ao balcão logo na abertura e já estão a vender 500 refeições por dia.

“O prego tem tudo para ser um sucesso no fast food. É um prato muito português, que esta­va à espera de ser pegado e rein­ventado”, refere André Simões de Almeida, sócio da Prego Gourmet, juntamente com João Cota Dias e David Igrejas.

Em janeiro de 2012, a Prego Gourmet vai abrir mais duas lo­jas em centros comerciais da Grande Lisboa, prevendo fe­char o ano com uma rede de 10 a 12 lojas, e a expansão promete não ficar por aqui.

A ideia deste fast food original partiu de David Igrejas, que no seu antigo restaurante Foral de Cascais fazia um prego bastante apreciado pela clientela. “Ele pe­gou nisso, antecipando que a cri­se ia afetar o modelo de negócio do restaurante de rua caro”, con­ta André Almeida. “Nos shoppings o negócio é mais rentável, e juntámo-nos para desenvolver um conceito à volta do prego”.

Para a Prego Gourmet, “o pre­go deixou de ser um pedaço de carne dentro de um pão”. Com uma experiência de 15 anos a trabalhar em restaurantes em Fort Lauderdale nos EUA, onde tirou um curso de culinária, David Igrejas desenhou uma emen­ta com sete variedades de pre­gos, no pão ou no prato, em ver­sões de lombo, alcatra, frango e ainda um inovador “prego asiáti­co de salmão”, além de acompa­nhamentos e saladas, a preços entre €5,45 e €10 por refeição. Na parte das bebidas, destaca-se ainda o “granizado de limão e hortelã” neste menu gourmet.

“Aqui nada é de plástico”

“Este é um conceito todo pen­sado por nós, não é um franchising”, faz notar João Cota Dias, sublinhando que a Prego Gourmet quer fazer a diferença entre as massificadas cadeias alimen­tares dos centros comerciais, pri­mando também pela estética. “Pensámos em dar um pouco mais de estilo aos tabuleiros, desde os pratos ao vinho servido em jarros e imperiais em copos duros e personalizados. São de­talhes que marcam a experiên­cia de ir ao shopping”.

“Aqui, é tudo caseiro e fresco, não há nada de plástico”, refere ainda André Almeida. Batatas e outros legumes são recebidos em sacas e toda a alimentação é confecionada no dia, o que se es­tende aos molhos, como a maio­nese blue cheese. “Só assim pode­mos ter uma batata tão boa co­mo a que comemos em casa”, no­ta o sócio da Prego Gourmet, lembrando que esta opção envol­ve trabalhar “com os melhores produtores de carne e fornece­dores de legumes”.

Na mira da Prego Gourmet es­tão já objetivos de internaciona­lização, destacando-se os locais com comunidades portuguesas.

“Acreditamos ter um produto forte e temos o sonho de levar a Prego Gourmet além-fronteiras, pois queremos internacionali­zar o que é português”, adianta André Almeida. “O emigrante, e eu já estive nessa pele, tem ne­cessidade de estar perto daquilo que faz lembrar Portugal”.

A expansão é uma meta firme para a Prego Gourmet, mas pa­ra já a ideia é avançar em cen­tros comerciais da Grande Lis­boa, estender a rede de lojas pró­prias ao resto do país e só então olhar para o exterior. O franchising é uma opção? “É um pouco como entregar um bebé nas mãos de outra pessoa”, salienta André Almeida, não descartan­do esta hipótese no futuro.

“Este não é um conceito para morrer ao fim de três, quatro anos”, afiança João Dias, que en­fatiza a solidez do projeto, à mar­gem da situação da banca, ga­rantida pelo parceiro investidor, Pedro Almeida. “Não precisá­mos de ir a Silicon Valley para financiar um projeto vencedor”. Nos tempos que correm “já não há aqueles negócios com gran­des margens de lucro para pen­sar: vou ficar rico com um res­taurante”. A Prego Gourmet, sublinha, foi desenhada desde o início para operar com margens baixas. “Vendemos bifes de lom­bo a preço de fast food”.

“Para nós, é um orgulho devol­ver ao prego o estatuto que ele merece”, sustenta André Dias, frisando que a Prego Gourmet “é uma coisa portuguesa, que surge em tempo de crise, o que dá muito, muito gozo”.

CONCEIÇÃO ANTUNES cantunes @ expresso.impresa.pt